Celebridades e influenciadores fazem uso e os peptídeos te ajudam com tudo, pele mais jovem, músculos maiores, te ajuda a se recuperar mais rapidamente e viver mais longamente. Ótimo. Mas, afinal, o que é um peptídeo? Quimicamente, são cadeias curtas de aminoácidos que desempenham funções úteis nas células, como regular hormônios ou reduzir inflamações.
🧫 Gimme more.
O corpo humano produz milhares deles naturalmente, e outros milhares são sintetizados em laboratório. Endorfinas, insulina, ocitocina, medicamentos como Ozempic — tudo isso entra na categoria ‘peptídeo’. Mas quando falamos de terapia com peptídeos hoje em dia geralmente estamos nos referindo a uma vasta gama de produtos experimentais, que podem ser injetados ou aplicados na pele. Bora dividi-los em três áreas: cuidados com a pele, fitness ou biohacking:
💆🏻♀️ Skincare.
O interesse por peptídeos para a pele explodiu nos últimos dois anos, com marcas como a Sephora oferecendo centenas de cremes que prometem turbinar colágeno, aumentar lábios e desinchar olhos. Eles funcionam? Em parte. Segundo o dermatologista Adam Friedman, há benefícios reais — não é charlatanismo —, mas também não são solução única nem milagrosa.
Versões como Matrixyl ou GHK-Cu imitam peptídeos naturais que estimulam colágeno ao sinalizar produção de elastina ou entregar cobre para acelerar a renovação celular. Há até peptídeos que relaxam músculos como um “mini Botox”. As fórmulas mais novas conseguem levar essas moléculas para camadas mais profundas da pele usando nanoemulsões e lipossomas — embora a febre de peptídeos injetáveis continue sem comprovação eficaz.
🦾 Músculos.
Outro grupo de peptídeos ganhou fama por estimular a produção de hormônio do crescimento (H.G.H.). Como a lei federal americana restringe o uso de H.G.H. sintético, muitas clínicas passaram a prescrever alternativas como tesamorelina e, principalmente, sermorelina — peptídeos que induzem o próprio corpo a produzir o GH. Esses compostos são legais para uso off-label.
Mas a eficácia ainda continua uma tanto nebulosa. Estudos apontam apenas ganhos modestos de massa magra em homens mais velhos — sem melhora real de força ou recuperação —, enquanto níveis elevados e sustentados de H.G.H. estão associados a outros riscos, como diabetes e certos tipos de câncer.
🧪 Longevidade/ Biohacking.
Em seu podcast, Joe Rogan contou que o “Wolverine shot” (o peptídeo BPC-157) resolveu sua tendinite em duas semanas, enquanto Ryan Humiston afirma que pinealon ajudou na apneia do sono. Biohackers citam estudos iniciais para defender compostos como epitalon (vida longa), melanotan II (libido) e semax ou selank (cognição), mas quase tudo ainda está no estágio de cultura celular — nem mesmo tendo sido experimentado em animais.
Não pega nada. Como são vendidos como “grau de pesquisa”, não precisam seguir padrões de segurança de medicamentos, mas não há garantia de pureza, estabilidade ou sequer do que vem dentro do frasco. Ainda assim, é fácil comprá-los, mesmo com riscos — de inchaço e dor, no caso do BPC-157, a possíveis ligações com crescimento tumoral, como no TB-500.
💉 Bom.
O problema aqui não é o hype dos peptídeos – é a pressa. A moda cresceu tão rapidamente que muita gente quer testar tudo junto e de uma só vez, antes mesmo da ciência dizer se funcionam ou se são seguras. O conselho para os curiosos, segundo Dr. Friedman ouvido pelo NYT, é o seguinte: comece primeiro pelo seu objetivo — pele firme, músculo ou longevidade — e depois pergunte se já existe tratamento comprovado para isso. Spoiler: quase sempre existe.
Pode envolver peptídeos… ou não.